Os pensamentos pulam de uma cabeça para outra.
Que os carrega e depois descarrega,
aos poucos,
ou de uma só vez.
Os pensamentos curtos são os que saltitam mais.
De uma cabeça a outra.
O dia todo, sem parar.
E quando dormimos, ficam pulando
de uma perna só,
no mesmo lugar.
quarta-feira, 31 de dezembro de 2014
sábado, 6 de setembro de 2014
Ego inflado
No profundo
e obscuro
vácuo da mente.
Procurando "eu"
não encontrei nada
além de mais profundidade.
Aquele não percebido,
sem atributos,
é "eu".
Ele é antes uma negação do que uma presença.
Isso incomoda o pequeno ego,
que busca preencher aquele vazio incomensurável
inflando-se.
Mas não adianta inflar o ego,
por maior que o ego pareça
não preencherá sequer ínfima parte
do "eu".
Assim debate-se o inflado ego
tentando vencer o grande vazio sem fim.
Luta vã.
O ego merece seu exato tamanho,
nada mais nada menos,
na sua efêmera existência.
Ali no seu tamanho próprio,
tranquilo no infinito de si mesmo,
ele encontra repouso.
Desse modo pode o ego realizar sua fátua viagem,
nessa fagulha momentânea
que chamamos de vida.
e obscuro
vácuo da mente.
Procurando "eu"
não encontrei nada
além de mais profundidade.
Aquele não percebido,
sem atributos,
é "eu".
Ele é antes uma negação do que uma presença.
Isso incomoda o pequeno ego,
que busca preencher aquele vazio incomensurável
inflando-se.
Mas não adianta inflar o ego,
por maior que o ego pareça
não preencherá sequer ínfima parte
do "eu".
Assim debate-se o inflado ego
tentando vencer o grande vazio sem fim.
Luta vã.
O ego merece seu exato tamanho,
nada mais nada menos,
na sua efêmera existência.
Ali no seu tamanho próprio,
tranquilo no infinito de si mesmo,
ele encontra repouso.
Desse modo pode o ego realizar sua fátua viagem,
nessa fagulha momentânea
que chamamos de vida.
Aptidão
Aptidão à subverniência
que se adquire desde a infância
sob ameaça de violências de toda espécie
atrofia
o senso de justiça
e
arrasa
com princípios morais de qualquer um.
que se adquire desde a infância
sob ameaça de violências de toda espécie
atrofia
o senso de justiça
e
arrasa
com princípios morais de qualquer um.
Sou grato
por meus pais
e professores
que me ensinaram
com amor.
por meus pais
e professores
que me ensinaram
com amor.
Estes que estão ao meu redor
são frutos da ignorância.
Mas não importa o quanto imaturos são,
fui forjado num metal que eles desconhecem.
E não me curvarei às suas imundícies
de cão.
são frutos da ignorância.
Mas não importa o quanto imaturos são,
fui forjado num metal que eles desconhecem.
E não me curvarei às suas imundícies
de cão.
quinta-feira, 4 de setembro de 2014
Casuística - quinta
1. Ratos
Imagine uma
gaiola cheia de ratos
cada qual na
sua postura
de atenta
observação
de
fraquezas.
Prontos pra
roubar
pra se
defender
atacar
e matar.
Ficam nesta
postura
o dia todo
em constante
frenesi
até o
inevitável.
Em algum
momento
um rato irá
morder outro
e um
terceiro vai se aproveitar
disso.
Não entram
questões
no meio
dessa história
somente
fatos.
É assim que
se sente
qualquer um
em instituição
cheia de
ratos.
2. Meu filho
e eu
Não nos
falamos muito
dizer o quê?
Não queremos
correr o risco
de aborrecer
a harmonia.
De sair da
paz serena,
cair em
redundâncias
ou perder
tempo com besteiras.
O barco
saculeja
enquanto
navegamos nessa vida
de internet.
Queria dizer
o quanto o amo
mas faço
apenas passar as mãos
em seus
ombros,
alguma vez
na cabeça.
Fico
escondendo dele
o medo de
lhe assustar
com minha
idade já ida
de tanta dor
e recaída.
Sou pra mim
e pra ele
um
verdadeiro professor
que diz o
melhor a fazer
ensina
coisas que já esquecia
retira
e limpa o
mofo
do rapaz que
também já fui,
e lá desse
fundo
recobra a
força de jovem luz
que espera
ansioso sua vez.
Estamos cá
eu ele lá
juntos
singrando mar
navegantes
de internet.
O silêncio é
cortado por poucas
e boas
gargalhadas.
Nada melhor
que a alegria
espantadora
de tédios
e receios.
3. Johan
sumiu de novo
A mãe dele
liga nove horas da noite
falando alto
já é tarde e
não sabe onde Johan está,
já procurou
em todo lugar.
Promete
surra homérica
eu começo a
doer só de ouvir
aquelas
bravezas
de vingança
num menino
de doze
anos.
Saio
correndo
não tenho
medo
sei que
Johan deve estar distraído do tempo
na casa de
algum coleguinha,
corro pra
evitar o trauma
da surra que
lhe espera
de cinta
prometida.
A distância
é longa
e receio não
chegar a tempo
de salvar a
pele
de meu
querido menino
da dor, do
inchaço
e mais ainda
do pavor de
sua mente
de
adolescente.
Chegamos na
hora exata,
levo Eric na
garupa,
sua mãe já
sai nervosa
dizendo que
ele chegou,
eu pergunto:
você bateu?!
Não ainda
espero ele sair do banho.
Entro eu e
abro a porta do banheiro
e lá está
ele
a figura de
um desespero infantil,
desarmado, aflito
e nu!
Converso com
ele,
ele chora,
eu garanto
que convenço
a mãe dele
de não
bater. Fique tranquilo
meu filho.
Lembrei da
lei da palmada
e explico
pra mãe dele
que se bater
vou chamar o juizado
de menores.
Ela reluta e
diz que quando criança
apanhava
também.
Eu sorrio
lhe aponto
e digo:
- Tá vendo
no que deu.
Quando chego
em casa ligo pra Johan
ele atende
satisfeito
escapulido
do mal feito
agradecido
me diz que vai ler
mais um
capítulo do livro
que lhe dei.
Durma bem
meu filho, papai te ama.
4. Mergulho
nas palavras
Mergulhado
em palavras
das quais
não há saída.
De poucas
não de
muitas,
que muitas
palavras
são para
poucos.
Não mas
tenho muitas
poucas
poucas
costurando
retalhos de pano
de palavras
pobre mente
pertubada.
Já as ouvi
todas
um tanto
quanto sem conta
mas se gravo
algumas
alinhavando
estas linhas
são poucas
que saltam
vistas
a ponto de
apanhar e escrever.
Apesar da
piscina estar cheia
a água é
suja
lamacenta
sobram
poucas palavras
boiando
inertes
prontas.
O resto
decanta no fundo
grudadas,
pesadas
e
obscurecidas,
falta vida.
Consumo
palavras
neste meio
tempo
que não
termina.
A maioria
perdida,
esquecida.
Pairo cego
sobre estas.
Cato somente
as que esbarro
enquanto
perambulo
neste
caminho escuro.
É.
É a minha
vida.
Sem
importância.
Apenas com
palavras
repetidas -
quando não mudas -
fazendo
poesia de mentira
que não
enreda, nem cura,
é antes
purga.
Desconfio
que mergulhado estou
em palavras
que não me querem,
só de
teimoso, rude e impuro
na ousadia
de quem não tem medo
de ser
trouxa, esquisito, diferente,
arredio;
continuo costurando
estas
linhas.
Gosto de
coisa limpa
brilhante e
atentiva
talvez por
hora me engane
que
porventura noutros tempos
futuros, de
experiência tida
desses
brutos versos
caia o limo,
rape a sujeira,
lime, limpe
e lapide,
até que
surja
coisa mais
bela
que essas
palavras sem graça,
cavadas,
duras.
A poesia
livre
apresentada
na sua fatalidade
sem questão
de pretensões
retiradas do
engasgo
de palavras
não faladas
engolidas.
Seria por
demais
pedir
desculpas
a quem não
lê
e me repudia
a falta de
sentido?
Pela
impudica ousadia
de escrever
aquilo
que ele
nunca vai ler?
Mas não é
essa a força
que tem as
palavras?
De ter
vários sentidos
e ao mesmo
tempo nenhum?
Então
licença eu peço
pr´aqueles
que nunca lê.
Tuas
palavras não são minhas.
E as minhas
não são tuas.
Continuo
mesmo assim
mergulhado
em palavras
que são
minha parte
da parte que
me cabe.
Mesmo pobres
poucas
as escrevo
são minha
prisão favorita,
e delas
por mais que
esse mundo cão
queira
não as pode
me tomar.
quarta-feira, 3 de setembro de 2014
27 - Amor por receber
Procurei por todo lado
em casa
não encontrei
nenhum
recibo de amor vendido.
Se toda paga
de amor
me dessem
ao menos
uma nota promissória!
Pelo que não vendi,
amor dei,
não tenho como provar
que amei.
Ao menos
a lembrança
não me defronta
que nunca fiquei
de a ver.
em casa
não encontrei
nenhum
recibo de amor vendido.
Se toda paga
de amor
me dessem
ao menos
uma nota promissória!
Pelo que não vendi,
amor dei,
não tenho como provar
que amei.
Ao menos
a lembrança
não me defronta
que nunca fiquei
de a ver.
26 - Lida
Recobre manto de ilusão
minha cabeça.
Sela minha visão.
Que a realidade é feia perigosa
inclemente
e sem razão.
Por onde salvar-se
de dura condenação
de estar ciente do que ocorre
fazendo nada nunca.
O mar sombrio
e as nuvens carregadas
dia e noite
por todas bússolas.
O andar carregado de fardo
arrastante relutante
em direção a lugar nenhum.
A fugaz fuga correria de mentiras.
Escondendo debaixo do manto,
sem encanto.
A diária realidade
exalando mal-cheiro
que gruda e não sai.
Caminhando sempre
em frente procurando oásis
neste deserto de intelectos
quente, seco e árido.
De mentes vazias
de sentido
sentimento
e razão.
Prolongado destino cruel
de choro lamento
convulsão.
Dores pontiagudas
que ferem, machucam,
dilaceram a autoestima.
Recompondo
de susto ligeiro
no malgrado tempo rasteiro
que gosta de puxar a porta;
fechando esperanças
trancafiando sonhos
escravizando a vontade
até que sobre somente ossos.
Nessa lida
lida lida.
minha cabeça.
Sela minha visão.
Que a realidade é feia perigosa
inclemente
e sem razão.
Por onde salvar-se
de dura condenação
de estar ciente do que ocorre
fazendo nada nunca.
O mar sombrio
e as nuvens carregadas
dia e noite
por todas bússolas.
O andar carregado de fardo
arrastante relutante
em direção a lugar nenhum.
A fugaz fuga correria de mentiras.
Escondendo debaixo do manto,
sem encanto.
A diária realidade
exalando mal-cheiro
que gruda e não sai.
Caminhando sempre
em frente procurando oásis
neste deserto de intelectos
quente, seco e árido.
De mentes vazias
de sentido
sentimento
e razão.
Prolongado destino cruel
de choro lamento
convulsão.
Dores pontiagudas
que ferem, machucam,
dilaceram a autoestima.
Recompondo
de susto ligeiro
no malgrado tempo rasteiro
que gosta de puxar a porta;
fechando esperanças
trancafiando sonhos
escravizando a vontade
até que sobre somente ossos.
Nessa lida
lida lida.
segunda-feira, 1 de setembro de 2014
5 - O profeta
Tudo que foi escrito
Está no livro
Naquele lá!
Quem poderá destrinchar
- esmerilhar -
Tudo que está lá?
Arrancar sabedoria do papel
Rabiscado por sabe-se lá quem
E repetir, repetir até cansar!
Vinde irmãos
Pra cear
O banquete de palavras sábias.
Subi ao palanque
E ficaste maior
Perante ouvidos atentos
Pra discórdia, lamento e entrega
De si.
Somos estultos
Daí-nos moral
Uma lição por domingo
E nos deixeis em paz.
Naquele livro
Aquele lá
Tem as palavras de conforto
Tem tudo lá.
Peço muitas coisas
E o livro as me dá.
Assim vou escutando
Quem o lê e me ensina o que há lá.
4 - O presente momento
Não tenho passado
nem futuro pra contar,
tudo que passo
passo agora.
Podia contar coisas da infância
que todas elas tem coisas pra contar
ou lamentar o amor perdido
que todos tem um pra lembrar.
Mas a fantasia mais nobre,
mais sóbria que estas,
é o cheio de vida
presente momento.
Temos a realidade
a um simples toque
- ou um olhar -
e preferimos viajar.
O turismo ao passado
ou em frente
é sonho frágil,
prefiro agora.
Qualquer tropeço
neste instante
é mais digno
que fantasmas.
nem futuro pra contar,
tudo que passo
passo agora.
Podia contar coisas da infância
que todas elas tem coisas pra contar
ou lamentar o amor perdido
que todos tem um pra lembrar.
Mas a fantasia mais nobre,
mais sóbria que estas,
é o cheio de vida
presente momento.
Temos a realidade
a um simples toque
- ou um olhar -
e preferimos viajar.
O turismo ao passado
ou em frente
é sonho frágil,
prefiro agora.
Qualquer tropeço
neste instante
é mais digno
que fantasmas.
3 - Indo pra mais além
Escrever poesia
é morrer de vergonha
é declarar-se à toa
coisa de quem perde tempo com bobagens.
Pior ainda o anônimo,
desconhecido demais pra ser lido,
sua poesia cai no
desprezo.
E
quando se diz a verdade
no lugar do bonito de ouvir?
Poesia indigente, indigesta.
Só queria saber
onde está escrito
que poesia tem que ser
coisa boa.
Pra então descobrir
de onde vem essa desdita à poesia;
eles podem
mas eu não.
Estou ajuntando as malas
pra fazer uma viagem inaudita
por este mundo estranho,
poético.
E deixo este bilhete
de quem parte pra nunca mais voltar,
indo pra lugar nenhum,
acompanhando o canto dos pássaros.
é morrer de vergonha
é declarar-se à toa
coisa de quem perde tempo com bobagens.
Pior ainda o anônimo,
desconhecido demais pra ser lido,
sua poesia cai no
desprezo.
E
quando se diz a verdade
no lugar do bonito de ouvir?
Poesia indigente, indigesta.
Só queria saber
onde está escrito
que poesia tem que ser
coisa boa.
Pra então descobrir
de onde vem essa desdita à poesia;
eles podem
mas eu não.
Estou ajuntando as malas
pra fazer uma viagem inaudita
por este mundo estranho,
poético.
E deixo este bilhete
de quem parte pra nunca mais voltar,
indo pra lugar nenhum,
acompanhando o canto dos pássaros.
2 - Cova
Quantos segundos
temos que deixar passar
até que volte o bom senso
ao injustiçado?
Se a injustiça é um erro
persistindo no erro
a correção não demora
a chegar.
A seca moral
é sinal
de vindoura
tempestade.
Por todo lado
o erro campeia
solto
esperando retidão.
Que virá
de dentro e de fora
na justiça
que será feita.
O próprio coração
do indecente
será sua paga
e condenação.
A revolta do inocente
com o passar do tempo se aplaca
mas o culpado vai repetir seu erro
e cavar sua cova.
temos que deixar passar
até que volte o bom senso
ao injustiçado?
Se a injustiça é um erro
persistindo no erro
a correção não demora
a chegar.
A seca moral
é sinal
de vindoura
tempestade.
Por todo lado
o erro campeia
solto
esperando retidão.
Que virá
de dentro e de fora
na justiça
que será feita.
O próprio coração
do indecente
será sua paga
e condenação.
A revolta do inocente
com o passar do tempo se aplaca
mas o culpado vai repetir seu erro
e cavar sua cova.
1 - Murros no ar
Do jeito que vem a vontade
de voar
com sua pressa
de sair logo voando,
vem junto o desalento
mais que depressa
com suas correntes e cadeados
engaiolando pretensões.
Inventemos uma chave
mestra
pra soltar
a imaginação.
As barreiras invisíveis
- mas reais -
não podem ser tão altas
nem tão grossas.
Que um sopro
um murro
e uma benção
não derrubem.
de voar
com sua pressa
de sair logo voando,
vem junto o desalento
mais que depressa
com suas correntes e cadeados
engaiolando pretensões.
Inventemos uma chave
mestra
pra soltar
a imaginação.
As barreiras invisíveis
- mas reais -
não podem ser tão altas
nem tão grossas.
Que um sopro
um murro
e uma benção
não derrubem.
6 - Divino sol
Outrora caberia
tanta desgraça
numa coisa só?
Encaminho
esta penúria
enrolada em lenço branco
pra socorro me retornar.
As deslidas linhas que nunca escrevi
pérolas que senti
pra outrens nada são
e daí?
Eu lá tenho culpa se
os galhos e ramas
que se entrelaçam
em afrodítea posições,
rompem em busca de luz?
O sol é pra todos
inclusive pra mim!
tanta desgraça
numa coisa só?
Encaminho
esta penúria
enrolada em lenço branco
pra socorro me retornar.
As deslidas linhas que nunca escrevi
pérolas que senti
pra outrens nada são
e daí?
Eu lá tenho culpa se
os galhos e ramas
que se entrelaçam
em afrodítea posições,
rompem em busca de luz?
O sol é pra todos
inclusive pra mim!
7 - Menos fel
Dia cansativo
trabalhei o dia todo
no vazio
de longos hiatos
Penso no que podia
ser minha vida
noutro serviço
que fosse diferente
Talvez menos cheio de fel
trabalhei o dia todo
no vazio
de longos hiatos
Penso no que podia
ser minha vida
noutro serviço
que fosse diferente
Talvez menos cheio de fel
sexta-feira, 29 de agosto de 2014
8 - Cabelo
só isso já diz tudo.
Estamos aqui decidindo
sobre o cabelo.
Parece que ele gosta
de deixar o cabelo
grande e foda-se
então eu gosto também.
Por quê?
Porque cortar o cabelo
é um saco!
quinta-feira, 28 de agosto de 2014
9 - Tanto
tanto alvoroço
tanta desgraça
tanta arruaça
Merda de vida
sopre vento nas ideias
pelo menos um pouquinho
pra levar essa catinga.
Nesse deserto de vida
esturricando ao sol
mais desperdício
de corpo pronto
jogado ao léu.
10 - Dez minutos
pro lanche
que o corpo já está exausto
de não fazer nada.
O sol tilintando
pássaros cantando
trem de ferro ao longe
e fome de fazer alguma coisa.
Mas continuo minha labuta
sem esmorecer
nesta sina prisional
do pesado fardo
de fazer nada.
11 - Peleja
cheia de um nada terrível
onde a esperança fica em branco.
Peleja contra as vistas cansadas
de um tempo demorado
que leva pra longe minhas passadas.
E tudo ali rui lentamente
levando junto capacidade e alegria
enterrando na vala comum sem dente.
Quem me dera recebesse um brinde
de um sorriso de moça bonita
no lugar desse vazio pedinte.
13 - Do nada
nessa arte inventada
pra bezuntar ferida recente
de pomada matadera de tédio.
Linguagem comunicativa
que não diz nada
nem pretende ser lida.
Uso equivocado de mensagem
com o sentido rotineiro
trocado por enxurrada de verbaneio.
Poesia defecada
sem sentido
boba
e empoeirada.
15 - Viagem da vida
é um mar de espinhos
sem local de hospedagem
no gole de vinhos.
O cara travessa mundão
de cores pálidas sem luz
andando de buzão
vivendo feito avestruz.
Nem loco suporta isso
de viver imagens soltas
colhendo da vida resquício
sonhando com ondas revoltas.
18 - Automóvel
carregando estrume de gente.
Essa máquina reluzente
que encobre estes ignóbeis.
Jogasse todo esse estrume
a pé nas avenidas
estariam tantas almas perdidas
não sobraria um que aprume.
Nasceram com pés mas andam de rodas
tamanha loucura das cacholas
promovendo muitas degolas
enquanto se sentem fodas.
Bebendo petróleo com sangue
de conta que não sabem de nada
da mãe, do pai, da tia atropelada
morrendo sem ter estanque.
19 - Poesia sem rima
que não dá pra ser bonita
coisa estranha sem pé nem cabeça
da tortura saída sem eira
que se foda o ritmo.
Minha rima não é rima,
a poesia é troça
de palavras corridas sem nexo.
Destrambelhadas são as frases
igual ajuntamento de lixo
escorridas da pertubação
sofrida.
Perdida coerência sempre buscada
nunca encontrada.
22 - Meia hora de nada
eu aqui sem poder nada
nem deitar nem nada
só ficar sem fazer nada
nem cagar tenho vontade
nada nada.
Minha bunda já tá quadrada
paciência esgotada
e continuo a poder nada
nada nada.
Meu trabalho é fazer nada
e ai se fizer alguma coisa
coisinha de nada que seja
não posso
meu negócio é fazer nada.
24 - Procissão
é o que vale a reza da beata
em cada procissão sofrida
com choro e vela poída
de um nó que não desata
chinelo de dedo na mão cravo.
Dois terço de outro centavo
correndo a mão calejada no lenço
esfregando na testa suada
seguindo sempre na mesma toada
dessa dor que não sai no senso
sem soltar patúa de cravo.
Um terço chega ao regaço
do despejo do corpo que desce
sob olhos de total descrença
dos vivos que pedem bença
pra ver se na alma ainda cresce
vontade de viver enquanto cai o cravo.
quinta-feira, 21 de agosto de 2014
23 - Em defesa da honra
Defesa da honra.
O que é isto?
Alguém distorce o que você disse, para caber dentro da interpretação mesquinha que lhe cabe.
E depois te acusa.
Então é necessário se defender.
Podem ser mil ou dez mil, não importa, sua honra não depende de quantidade, depende é de qualidade.
Quem não entende, frágil mentalmente, a diferença entre desonra e honra, então só cabe a vez do martelo.
Tudo bem. Quem nasceu pra servir à realidade, verdade e inteligência - que no fundo estão interligados - precisa apanhar da burrice, da escravidão, do ermo da floresta da ilusão.
Estou aqui, quem quiser venha, com pedras e paus, não movo um centímetro das minhas convicções, pois o que tenho foi colhido com suor e o que vocês tem colheram foi da ignorância e iniquidade.
Quero pra vocês o fogo, que queime suas ilusões de matilha. Se sou humano me defendo como tal, cães.
Não tenho muito o que reclamar, sou afortunado de qualidades, enquanto vocês são cheios de maldade.
Quem me dera ajudar fosse a tuas imprevidências
nas vossas emperdenidas esperanças
de que algo de bom virá de vossas ignorâncias.
Predito tuas lamúrias na minha pequenez de vidente.
Sereis jogo fátuo na mão de limitados, frágeis, covardes, do bando de que fazeis parte, do fim que te mereces, do vil veneno que retornarás pra tuas bocas sedentas de sangue, que lambem o próprio ferrão em regozijo, de batalha pretensamente vencida, contra fantasma de tua própria projeção de teu medo que te engolirá. E te cuspirá. Em fogo. Pro fundo do inferno de tua covardia em forma de coragem dos muitos.
Covardes. Vós sois covardes.
O que é isto?
Alguém distorce o que você disse, para caber dentro da interpretação mesquinha que lhe cabe.
E depois te acusa.
Então é necessário se defender.
Podem ser mil ou dez mil, não importa, sua honra não depende de quantidade, depende é de qualidade.
Quem não entende, frágil mentalmente, a diferença entre desonra e honra, então só cabe a vez do martelo.
Tudo bem. Quem nasceu pra servir à realidade, verdade e inteligência - que no fundo estão interligados - precisa apanhar da burrice, da escravidão, do ermo da floresta da ilusão.
Estou aqui, quem quiser venha, com pedras e paus, não movo um centímetro das minhas convicções, pois o que tenho foi colhido com suor e o que vocês tem colheram foi da ignorância e iniquidade.
Quero pra vocês o fogo, que queime suas ilusões de matilha. Se sou humano me defendo como tal, cães.
Não tenho muito o que reclamar, sou afortunado de qualidades, enquanto vocês são cheios de maldade.
Quem me dera ajudar fosse a tuas imprevidências
nas vossas emperdenidas esperanças
de que algo de bom virá de vossas ignorâncias.
Predito tuas lamúrias na minha pequenez de vidente.
Sereis jogo fátuo na mão de limitados, frágeis, covardes, do bando de que fazeis parte, do fim que te mereces, do vil veneno que retornarás pra tuas bocas sedentas de sangue, que lambem o próprio ferrão em regozijo, de batalha pretensamente vencida, contra fantasma de tua própria projeção de teu medo que te engolirá. E te cuspirá. Em fogo. Pro fundo do inferno de tua covardia em forma de coragem dos muitos.
Covardes. Vós sois covardes.
quinta-feira, 14 de agosto de 2014
21 - Sangue
então resolveram provar meu sangue
ai ai
vão se arrepender
pois meu sangue é amargo fel
trouxas de babel
quem prova de meu sangue
bate na banguela
da descida inesperada
do buraco mais fundo que já se viu
em derradeiro vexame final
mortuário de indigentes sem breu
então como valias anteontem
meu caro perdido em si
de tanto achar que pode
vai se fuder de monte
que meu sangue é ardente
de tantas reprimendas aos indigentes
que falam língua de esperteza
enquanto cavam seu própria sepultura
esnoba então filho da puta
enquanto é teu tempo de lisura
que quando eu acordo
tu tomas no rabo sem dó
seu filho da puta
puta idiota
de mentalidade confusa
vai te catar no inferno
onde teus pedaços vão sobrar
enquanto te surro
até latejar tua lamúria
filha de merda, de pai e mãe de merda
filha da puta
dei minha confiança
arrastei até o chão pra que me viste
então tu na tua idiotice
achou que eu era barata
tua filha da puta
então toma no seu cu azulado
sua puta de merda
enquanto te bato de cinta
com fivela
na tua bunda murcha e roxa
e grita enquanto tem voz
desgraçada!
ai ai
vão se arrepender
pois meu sangue é amargo fel
trouxas de babel
quem prova de meu sangue
bate na banguela
da descida inesperada
do buraco mais fundo que já se viu
em derradeiro vexame final
mortuário de indigentes sem breu
então como valias anteontem
meu caro perdido em si
de tanto achar que pode
vai se fuder de monte
que meu sangue é ardente
de tantas reprimendas aos indigentes
que falam língua de esperteza
enquanto cavam seu própria sepultura
esnoba então filho da puta
enquanto é teu tempo de lisura
que quando eu acordo
tu tomas no rabo sem dó
seu filho da puta
puta idiota
de mentalidade confusa
vai te catar no inferno
onde teus pedaços vão sobrar
enquanto te surro
até latejar tua lamúria
filha de merda, de pai e mãe de merda
filha da puta
dei minha confiança
arrastei até o chão pra que me viste
então tu na tua idiotice
achou que eu era barata
tua filha da puta
então toma no seu cu azulado
sua puta de merda
enquanto te bato de cinta
com fivela
na tua bunda murcha e roxa
e grita enquanto tem voz
desgraçada!
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