sexta-feira, 29 de agosto de 2014

8 - Cabelo

Eu e meu filho;
só isso já diz tudo.
Estamos aqui decidindo
sobre o cabelo.

Parece que ele gosta
de deixar o cabelo
grande e foda-se
então eu gosto também.

Por quê?
Porque cortar o cabelo
é um saco!

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

9 - Tanto

Tanto desgosto
tanto alvoroço
tanta desgraça
tanta arruaça

Merda de vida
sopre vento nas ideias
pelo menos um pouquinho
pra levar essa catinga.
Nesse deserto de vida
esturricando ao sol
mais desperdício
de corpo pronto
jogado ao léu.

10 - Dez minutos

Agora faltam só dez minutos
pro lanche
que o corpo já está exausto
de não fazer nada.

O sol tilintando
pássaros cantando
trem de ferro ao longe
e fome de fazer alguma coisa.

Mas continuo minha labuta
sem esmorecer
nesta sina prisional
do pesado fardo
de fazer nada.

11 - Peleja

A sala do incorreto desencanto
cheia de um nada terrível
onde a esperança fica em branco.

Peleja contra as vistas cansadas
de um tempo demorado
que leva pra longe minhas passadas.

E tudo ali rui lentamente
levando junto capacidade e alegria
enterrando na vala comum sem dente.

Quem me dera recebesse um brinde
de um sorriso de moça bonita
no lugar desse vazio pedinte.

13 - Do nada

Arrancar do nada alguma coisa
nessa arte inventada
pra bezuntar ferida recente
de pomada matadera de tédio.
Linguagem comunicativa
que não diz nada
nem pretende ser lida.
Uso equivocado de mensagem
com o sentido rotineiro
trocado por enxurrada de verbaneio.
Poesia defecada
sem sentido
boba
e empoeirada.

15 - Viagem da vida

O coração da viagem
é um mar de espinhos
sem local de hospedagem
no gole de vinhos.

O cara travessa mundão
de cores pálidas sem luz
andando de buzão
vivendo feito avestruz.

Nem loco suporta isso
de viver imagens soltas
colhendo da vida resquício
sonhando com ondas revoltas.

18 - Automóvel

Uma multidão de automóveis
carregando estrume de gente.
Essa máquina reluzente
que encobre estes ignóbeis.
Jogasse todo esse estrume
a pé nas avenidas
estariam tantas almas perdidas
não sobraria um que aprume.
Nasceram com pés mas andam de rodas
tamanha loucura das cacholas
promovendo muitas degolas
enquanto se sentem fodas.
Bebendo petróleo com sangue
de conta que não sabem de nada
da mãe, do pai, da tia atropelada
morrendo sem ter estanque.

19 - Poesia sem rima

Não há poesia sem rima
que não dá pra ser bonita
coisa estranha sem pé nem cabeça
da tortura saída sem eira
que se foda o ritmo.
Minha rima não é rima,
a poesia é troça
de palavras corridas sem nexo.
Destrambelhadas são as frases
igual ajuntamento de lixo
escorridas da pertubação
sofrida.
Perdida coerência sempre buscada
nunca encontrada.

22 - Meia hora de nada

Mais meia hora de nada
eu aqui sem poder nada
nem deitar nem nada
só ficar sem fazer nada
nem cagar tenho vontade
nada nada.
Minha bunda já tá quadrada
paciência esgotada
e continuo a poder nada
nada nada.
Meu trabalho é fazer nada
e ai se fizer alguma coisa
coisinha de nada que seja
não posso
meu negócio é fazer nada.

24 - Procissão


Dois terço de um centavo
é o que vale a reza da beata
em cada procissão sofrida
com choro e vela poída
de um nó que não desata
chinelo de dedo na mão cravo.

Dois terço de outro centavo
correndo a mão calejada no lenço
esfregando na testa suada
seguindo sempre na mesma toada
dessa dor que não sai no senso
sem soltar patúa de cravo.

Um terço chega ao regaço
do despejo do corpo que desce
sob olhos de total descrença
dos vivos que pedem bença
pra ver se na alma ainda cresce
vontade de viver enquanto cai o cravo.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

23 - Em defesa da honra

Defesa da honra.
O que é isto?
Alguém distorce o que você disse, para caber dentro da interpretação mesquinha que lhe cabe.
E depois te acusa.
Então é necessário se defender.
Podem ser mil ou dez mil, não importa, sua honra não depende de quantidade, depende é de qualidade.
Quem não entende, frágil mentalmente, a diferença entre desonra e honra, então só cabe a vez do martelo.
Tudo bem. Quem nasceu pra servir à realidade, verdade e inteligência - que no fundo estão interligados - precisa apanhar da burrice, da escravidão, do ermo da floresta da ilusão.
Estou aqui, quem quiser venha, com pedras e paus, não movo um centímetro das minhas convicções, pois o que tenho foi colhido com suor e o que vocês tem colheram foi da ignorância e iniquidade.
Quero pra vocês o fogo, que queime suas ilusões de matilha. Se sou humano me defendo como tal, cães.
Não tenho muito o que reclamar, sou afortunado de qualidades, enquanto vocês são cheios de maldade.
Quem me dera ajudar fosse a tuas imprevidências
nas vossas emperdenidas esperanças
de que algo de bom virá de vossas ignorâncias.
Predito tuas lamúrias na minha pequenez de vidente.
Sereis jogo fátuo na mão de limitados, frágeis, covardes, do bando de que fazeis parte, do fim que te mereces, do vil veneno que retornarás pra tuas bocas sedentas de sangue, que lambem o próprio ferrão em regozijo, de batalha pretensamente vencida, contra fantasma de tua própria projeção de teu medo que te engolirá. E te cuspirá. Em fogo. Pro fundo do inferno de tua covardia em forma de coragem dos muitos.
Covardes. Vós sois covardes.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

21 - Sangue

então resolveram provar meu sangue
ai ai
vão se arrepender
pois meu sangue é amargo fel
trouxas de babel

quem prova de meu sangue
bate na banguela
da descida inesperada
do buraco mais fundo que já se viu
em derradeiro vexame final
mortuário de indigentes sem breu

então como valias anteontem
meu caro perdido em si
de tanto achar que pode
vai se fuder de monte

que meu sangue é ardente
de tantas reprimendas aos indigentes
que falam língua de esperteza
enquanto cavam seu própria sepultura

esnoba então filho da puta
enquanto é teu tempo de lisura
que quando eu acordo
tu tomas no rabo sem dó

seu filho da puta
puta idiota
de mentalidade confusa
vai te catar no inferno
onde teus pedaços vão sobrar
enquanto te surro
até latejar tua lamúria
filha de merda, de pai e mãe de merda
filha da puta

dei minha confiança
arrastei até o chão pra que me viste
então tu na tua idiotice
achou que eu era barata
tua filha da puta

então toma no seu cu azulado
sua puta de merda
enquanto te bato de cinta
com fivela
na tua bunda murcha e roxa
e grita enquanto tem voz

desgraçada!