Recobre manto de ilusão
minha cabeça.
Sela minha visão.
Que a realidade é feia perigosa
inclemente
e sem razão.
Por onde salvar-se
de dura condenação
de estar ciente do que ocorre
fazendo nada nunca.
O mar sombrio
e as nuvens carregadas
dia e noite
por todas bússolas.
O andar carregado de fardo
arrastante relutante
em direção a lugar nenhum.
A fugaz fuga correria de mentiras.
Escondendo debaixo do manto,
sem encanto.
A diária realidade
exalando mal-cheiro
que gruda e não sai.
Caminhando sempre
em frente procurando oásis
neste deserto de intelectos
quente, seco e árido.
De mentes vazias
de sentido
sentimento
e razão.
Prolongado destino cruel
de choro lamento
convulsão.
Dores pontiagudas
que ferem, machucam,
dilaceram a autoestima.
Recompondo
de susto ligeiro
no malgrado tempo rasteiro
que gosta de puxar a porta;
fechando esperanças
trancafiando sonhos
escravizando a vontade
até que sobre somente ossos.
Nessa lida
lida lida.
Gostei, achei muito bom.
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