quarta-feira, 3 de setembro de 2014

26 - Lida

Recobre manto de ilusão
minha cabeça.
Sela minha visão.

Que a realidade é feia perigosa
inclemente
e sem razão.

Por onde salvar-se
de dura condenação
de estar ciente do que ocorre
fazendo nada nunca.

O mar sombrio
e as nuvens carregadas
dia e noite
por todas bússolas.

O andar carregado de fardo
arrastante relutante
em direção a lugar nenhum.

A fugaz fuga correria de mentiras.

Escondendo debaixo do manto,
sem encanto.

A diária realidade
exalando mal-cheiro
que gruda e não sai.

Caminhando sempre
em frente procurando oásis
neste deserto de intelectos
quente, seco e árido.

De mentes vazias
de sentido
sentimento
e razão.

Prolongado destino cruel
de choro lamento
convulsão.

Dores pontiagudas
que ferem, machucam,
dilaceram a autoestima.

Recompondo
de susto ligeiro
no malgrado tempo rasteiro
que gosta de puxar a porta;
fechando esperanças
trancafiando sonhos
escravizando a vontade
até que sobre somente ossos.

Nessa lida
lida lida.


Um comentário: