A solidão é meu pão.
Carrego meus passos sem
deixar rastros.
O que viram não sou eu.
São sombras de seus olhos.
O que fui são lembranças
suas, de um nada de
mim.
O tempo flui, engana,
pertuba o ar.
Rodopia. Pião de luz.
Vai e volta,
sem sair do lugar.
Busca de sensações
impelidas por desejos
fugidios. Esperanças
zigue-zagueiam sem parar.
Um gole pra refrescar;
adiante o sol.
Chorar, reclamar, tudo
ficou pra trás. Tanto faz.
Uma caneta me serve.
Tenho vazio nos dedos.
Buraco no andar.
Por isso deixei o sofrer
estendido no varal,
pra secar.
Poesias destroncadas
quarta-feira, 10 de maio de 2017
quarta-feira, 31 de dezembro de 2014
Pensamentos saltitantes
Os pensamentos pulam de uma cabeça para outra.
Que os carrega e depois descarrega,
aos poucos,
ou de uma só vez.
Os pensamentos curtos são os que saltitam mais.
De uma cabeça a outra.
O dia todo, sem parar.
E quando dormimos, ficam pulando
de uma perna só,
no mesmo lugar.
Que os carrega e depois descarrega,
aos poucos,
ou de uma só vez.
Os pensamentos curtos são os que saltitam mais.
De uma cabeça a outra.
O dia todo, sem parar.
E quando dormimos, ficam pulando
de uma perna só,
no mesmo lugar.
sábado, 6 de setembro de 2014
Ego inflado
No profundo
e obscuro
vácuo da mente.
Procurando "eu"
não encontrei nada
além de mais profundidade.
Aquele não percebido,
sem atributos,
é "eu".
Ele é antes uma negação do que uma presença.
Isso incomoda o pequeno ego,
que busca preencher aquele vazio incomensurável
inflando-se.
Mas não adianta inflar o ego,
por maior que o ego pareça
não preencherá sequer ínfima parte
do "eu".
Assim debate-se o inflado ego
tentando vencer o grande vazio sem fim.
Luta vã.
O ego merece seu exato tamanho,
nada mais nada menos,
na sua efêmera existência.
Ali no seu tamanho próprio,
tranquilo no infinito de si mesmo,
ele encontra repouso.
Desse modo pode o ego realizar sua fátua viagem,
nessa fagulha momentânea
que chamamos de vida.
e obscuro
vácuo da mente.
Procurando "eu"
não encontrei nada
além de mais profundidade.
Aquele não percebido,
sem atributos,
é "eu".
Ele é antes uma negação do que uma presença.
Isso incomoda o pequeno ego,
que busca preencher aquele vazio incomensurável
inflando-se.
Mas não adianta inflar o ego,
por maior que o ego pareça
não preencherá sequer ínfima parte
do "eu".
Assim debate-se o inflado ego
tentando vencer o grande vazio sem fim.
Luta vã.
O ego merece seu exato tamanho,
nada mais nada menos,
na sua efêmera existência.
Ali no seu tamanho próprio,
tranquilo no infinito de si mesmo,
ele encontra repouso.
Desse modo pode o ego realizar sua fátua viagem,
nessa fagulha momentânea
que chamamos de vida.
Aptidão
Aptidão à subverniência
que se adquire desde a infância
sob ameaça de violências de toda espécie
atrofia
o senso de justiça
e
arrasa
com princípios morais de qualquer um.
que se adquire desde a infância
sob ameaça de violências de toda espécie
atrofia
o senso de justiça
e
arrasa
com princípios morais de qualquer um.
Sou grato
por meus pais
e professores
que me ensinaram
com amor.
por meus pais
e professores
que me ensinaram
com amor.
Estes que estão ao meu redor
são frutos da ignorância.
Mas não importa o quanto imaturos são,
fui forjado num metal que eles desconhecem.
E não me curvarei às suas imundícies
de cão.
são frutos da ignorância.
Mas não importa o quanto imaturos são,
fui forjado num metal que eles desconhecem.
E não me curvarei às suas imundícies
de cão.
quinta-feira, 4 de setembro de 2014
Casuística - quinta
1. Ratos
Imagine uma
gaiola cheia de ratos
cada qual na
sua postura
de atenta
observação
de
fraquezas.
Prontos pra
roubar
pra se
defender
atacar
e matar.
Ficam nesta
postura
o dia todo
em constante
frenesi
até o
inevitável.
Em algum
momento
um rato irá
morder outro
e um
terceiro vai se aproveitar
disso.
Não entram
questões
no meio
dessa história
somente
fatos.
É assim que
se sente
qualquer um
em instituição
cheia de
ratos.
2. Meu filho
e eu
Não nos
falamos muito
dizer o quê?
Não queremos
correr o risco
de aborrecer
a harmonia.
De sair da
paz serena,
cair em
redundâncias
ou perder
tempo com besteiras.
O barco
saculeja
enquanto
navegamos nessa vida
de internet.
Queria dizer
o quanto o amo
mas faço
apenas passar as mãos
em seus
ombros,
alguma vez
na cabeça.
Fico
escondendo dele
o medo de
lhe assustar
com minha
idade já ida
de tanta dor
e recaída.
Sou pra mim
e pra ele
um
verdadeiro professor
que diz o
melhor a fazer
ensina
coisas que já esquecia
retira
e limpa o
mofo
do rapaz que
também já fui,
e lá desse
fundo
recobra a
força de jovem luz
que espera
ansioso sua vez.
Estamos cá
eu ele lá
juntos
singrando mar
navegantes
de internet.
O silêncio é
cortado por poucas
e boas
gargalhadas.
Nada melhor
que a alegria
espantadora
de tédios
e receios.
3. Johan
sumiu de novo
A mãe dele
liga nove horas da noite
falando alto
já é tarde e
não sabe onde Johan está,
já procurou
em todo lugar.
Promete
surra homérica
eu começo a
doer só de ouvir
aquelas
bravezas
de vingança
num menino
de doze
anos.
Saio
correndo
não tenho
medo
sei que
Johan deve estar distraído do tempo
na casa de
algum coleguinha,
corro pra
evitar o trauma
da surra que
lhe espera
de cinta
prometida.
A distância
é longa
e receio não
chegar a tempo
de salvar a
pele
de meu
querido menino
da dor, do
inchaço
e mais ainda
do pavor de
sua mente
de
adolescente.
Chegamos na
hora exata,
levo Eric na
garupa,
sua mãe já
sai nervosa
dizendo que
ele chegou,
eu pergunto:
você bateu?!
Não ainda
espero ele sair do banho.
Entro eu e
abro a porta do banheiro
e lá está
ele
a figura de
um desespero infantil,
desarmado, aflito
e nu!
Converso com
ele,
ele chora,
eu garanto
que convenço
a mãe dele
de não
bater. Fique tranquilo
meu filho.
Lembrei da
lei da palmada
e explico
pra mãe dele
que se bater
vou chamar o juizado
de menores.
Ela reluta e
diz que quando criança
apanhava
também.
Eu sorrio
lhe aponto
e digo:
- Tá vendo
no que deu.
Quando chego
em casa ligo pra Johan
ele atende
satisfeito
escapulido
do mal feito
agradecido
me diz que vai ler
mais um
capítulo do livro
que lhe dei.
Durma bem
meu filho, papai te ama.
4. Mergulho
nas palavras
Mergulhado
em palavras
das quais
não há saída.
De poucas
não de
muitas,
que muitas
palavras
são para
poucos.
Não mas
tenho muitas
poucas
poucas
costurando
retalhos de pano
de palavras
pobre mente
pertubada.
Já as ouvi
todas
um tanto
quanto sem conta
mas se gravo
algumas
alinhavando
estas linhas
são poucas
que saltam
vistas
a ponto de
apanhar e escrever.
Apesar da
piscina estar cheia
a água é
suja
lamacenta
sobram
poucas palavras
boiando
inertes
prontas.
O resto
decanta no fundo
grudadas,
pesadas
e
obscurecidas,
falta vida.
Consumo
palavras
neste meio
tempo
que não
termina.
A maioria
perdida,
esquecida.
Pairo cego
sobre estas.
Cato somente
as que esbarro
enquanto
perambulo
neste
caminho escuro.
É.
É a minha
vida.
Sem
importância.
Apenas com
palavras
repetidas -
quando não mudas -
fazendo
poesia de mentira
que não
enreda, nem cura,
é antes
purga.
Desconfio
que mergulhado estou
em palavras
que não me querem,
só de
teimoso, rude e impuro
na ousadia
de quem não tem medo
de ser
trouxa, esquisito, diferente,
arredio;
continuo costurando
estas
linhas.
Gosto de
coisa limpa
brilhante e
atentiva
talvez por
hora me engane
que
porventura noutros tempos
futuros, de
experiência tida
desses
brutos versos
caia o limo,
rape a sujeira,
lime, limpe
e lapide,
até que
surja
coisa mais
bela
que essas
palavras sem graça,
cavadas,
duras.
A poesia
livre
apresentada
na sua fatalidade
sem questão
de pretensões
retiradas do
engasgo
de palavras
não faladas
engolidas.
Seria por
demais
pedir
desculpas
a quem não
lê
e me repudia
a falta de
sentido?
Pela
impudica ousadia
de escrever
aquilo
que ele
nunca vai ler?
Mas não é
essa a força
que tem as
palavras?
De ter
vários sentidos
e ao mesmo
tempo nenhum?
Então
licença eu peço
pr´aqueles
que nunca lê.
Tuas
palavras não são minhas.
E as minhas
não são tuas.
Continuo
mesmo assim
mergulhado
em palavras
que são
minha parte
da parte que
me cabe.
Mesmo pobres
poucas
as escrevo
são minha
prisão favorita,
e delas
por mais que
esse mundo cão
queira
não as pode
me tomar.
Assinar:
Postagens (Atom)